segunda-feira, 19 de março de 2012

Técnica de execução

Comentários sobre o texto "Técnica de execução", publicado no livro Iniciacion à la flauta dulce, de Judith Akoschky e Mario A. Videla

Quando vou ensinar alguém a tocar um instrumento musical, fico preocupada principalmente com a respiração, a postura do corpo e a técnica. Afinal, infelizmente, é muito comum que os alunos adquiram "vícios" durante o aprendizado, que serão dificilmente corrigidos depois de algum tempo de prática incorreta.

Ao mesmo tempo, acredito que devemos dosar esses cuidados aos poucos, para que o aluno não fique "bloqueado" com tantos "não faça isso, não faça aquilo"! Também acredito que seja muito importante fazer analogias e ilustrações para passar essas técnicas. Por exemplo: respiração - "inspirar o ar como se estivesse sentindo um perfume bem gostoso"; embocadura - "dar um beijinho na flauta"; golpe de lingua - pedir aos alunos para tentar falar sem usar a lingua, de forma a perceber a importância da articulação.

O texto "Técnica de execução" é muito interessante, pois expõe esses cuidados de forma clara e objetiva.

RESUMO DO TEXTO

- É de fundamental importância adquirir desde o começo da aprendizagem uma técnica de execução correta.
- Respiração: o seu controle é a base para a boa emissão e qualidade do som. Deve ser tranquila e livre de tensões, principalmente nos ombros e pescoço. Na execução musical, a respiração está determinada pelo fraseado, devendo-se, para não interrompê-lo, respirar nos momentos corretos.
- Postura do corpo: o posicionamento correto do corpo é condição indispensável para uma boa execução. Atenção especial aos cotovelos, que devem estar ligeiramente afastados do corpo, e à posição da flauta, que deve ser mantida num ângulo entre 45 e 60 graus do corpo.
- Posição dos dedos: estes devem tapar completamente os orifícios, sem curvá-los, utilizando a polpa do dedo. Os alunos devem sentir pelo tato que os orifícios estão bem cobertos.
- Posição dos lábios: apoiar a flauta naturalmente sobre os lábios. Estes se fecham ajustando-se à ponta superior da mesma, sem que se contraiam.
- Golpe de língua: emitir cada nota como se pronunciasse a sílaba "tu".
- Afinação: para afinar, será usado como referência a nota "lá" produzida pela flauta mais baixa. Para ajustar a afinação do instrumento, deve-se juntar ou separar a embocadura do corpo da flauta.
- Cuidados com o instrumento: enxugar a flauta após o uso; limpar/secar o canal de ar com uma tira de papel absorvente; não expor a flauta a mudanças bruscas de temperatura; guardá-la após o uso em um estijo ou saco de pano; ao abrir ou fechar a flauta, girar um das partes para não rachar o material; manter das juntas untadas com vaselina.

Relato de aula - 2 - Didática da prática instrumental - Flauta

Coordenação motora
- Cantiga de roda Bambu Tirabu.

Concentração
- Cantiga de roda Bambu Tirabu;
- Produzir o som de acordo com o comprimento das fitas, tampinhas, pauzinhos (subindo ou descendo).

Rítmica
- Produzir o som de acordo com o comprimento das fitas, tampinhas, pauzinhos (subindo ou descendo).

Brincadeira de Roda
- "Bambu tirabu aroeira mantegueira, tirará fulano para ser bambu".

Técnica de flauta doce (respiração, digitação)
- Bolhinha de sabão / canudinho com articulação.
- Acompanhamento de musica com tutti e solista utilizando a nota si;
- Improvisação utilizando as notas la e si (Professora faz frase com duas notas. 1) os alunos cantam com nome da nota / 2) os alunos cantam fazendo digitação / 3) os alunos tocam)

Improvisação
- Acompanhamento de musica com tutti e solista utilizando a nota si;
- Improvisação utilizando as notas la e si.

Parâmetros do som (altura, duração, intensidade, timbre)
- Atividade com flauta de embolo;
- Exploração de sons com as partes da flauta;
- Cantiga de roda Bambu Tirabu;
- Produzir o som de acordo com o comprimento das fitas, tampinhas, pauzinhos (subindo ou descendo);

Escrita
- Partitura não convencional / grafia espotânea;
- 3 grupos para composição e registro

- Produzir o som de acordo com o comprimento das fitas, tampinhas, pauzinhos (subindo ou descendo);

Leitura
- Produzir o som de acordo com o comprimento das fitas, tampinhas, pauzinhos (subindo ou descendo);
- Ditado com sons agudos e graves (tampinhas e palitos, para baixo ou para cima).

segunda-feira, 12 de março de 2012

Pesquisa de sons

Comentários sobre o texto "Pesquisa de sons", publicado no livro Koellrreuter Educador, de Teca Alencar de Brito

No projeto que a Fanfarra de Caieiras realiza nos bairros do município, um dos momentos mais importantes é a escolha por parte do aluno do instrumentos que ele irá escolher para aprender. Apesar de abrirmos um espaço para a experimentação antes dessa decisão, sempre foi algo que me causou uma série de dúvidas quanto à metodologia. Afinal, muitos alunos escolhiam a percussão, somente por acharem que são instrumentos mais fáceis de se tocar.

Neste ano, fiz algo diferente. Utilizei o exercício proposto pelo texto da Teca Alencar, com pinceladas das atividades realizadas também na aula de métodos ativos da professora Enny Parejo:
- os alunos se sentaram em roda.
- ao centro, coloquei alguns instrumentos de percussão (agogô, claves, triângulo, etc.) e uma série de instrumentos de fanfarras: cornetas, cornetões, caixas-claras, bumbos, surdos, pratos A2.
- solicitei que cada um escolhesse um instrumento.
- todos teriam 1 minuto para explorar todas as possibilidades de sons que o instrumento oferecia.
- após esse tempo, fizemos uma rodada do que chamei de diálogos musicais.
- nesse diálogo, metade da roda faria uma "pergunta", e a outra metade daria uma "resposta", utilizando-se os instrumentos e as sonoridades neles encontradas, tomando-se, claro, muito cuidado com a integridade física do instrumento!
- Combinamos as duplas de pergunta/resposta, lembrando que a "deixa" para se dar a resposta, ou para o próximo fazer a sua pergunta, seria o silêncio.
- Após terminada a rodada de perguntas/respostas, tinhamos que trocar de instrumento, passando-o para o amigo da esquerda, para recomeçar o processo a partir da experimentação.
- A cada rodada, trocávamos as pessoas que faziam as perguntas e respostas.

Foi muito divertido e expressivo. Os alunos gostaram muito e, para minha surpresa, a maioria acabou por escolher os instrumentos de sopro para aprender.

 

RESUMO DO TEXTO

- "A ênfase na utilização dos materiais sonoros também torna possível distinguir períodos da história da música ocidental:" ftegmática - música modal, predominantemente vocal; clagal - predominantemente instrumental; psofal - relativo a qualquer som articulado (som, ruído ou mescla).
- Estamos na fase psofal.
- Importante estimular a pesquisa e produção de timbres não-convencionais nos instrumentos.
- O som produzido dependerá dos seguintes itens: material, articulação, agente musical, lugar onde se produz o som e técnicas empregadas.
- Definição de um modelo de improvisação.
- Possibilidades de se executar esse modelo de diferentes formas, utilizando voz, flauta-doce, outros instrumentos de sopro, instrumentos de corda, etc, sempre explorando os diversos timbres possiveis de serem extraídos desses recursos.

Relato de aula - 1 - Didática da prática instrumental - Flauta

Coordenação motora
- Apresentação dos nomes em roda com percussão corporal;
- Parlenda "Viva eu, viva tu, viva o rabo do tatu".

Concentração
- Colher flores;
- Apresentação dos nomes em roda com percussão corporal;
- Parlendas "Viva eu, viva tu, viva o rabo do tatu";
- História coletiva com sonorização.

Sonorização de histórias
- História coletiva com sonorização utilizando-se das partes da flauta.

Rítmica
- Apresentação dos nomes em roda com percussão corporal;
- Exploração de copos de iogurte.

Brincadeira de Roda
- Parlenda "Viva eu, viva tu, viva o rabo do tatu".

Técnica de flauta doce (respiração, digitação)
- Colher flores.

Improvisação
- História coletiva com sonorização utilizando-se das partes da flauta;
- Exploração de copos de iogurte;
- Parlenda "Viva eu, viva tu, viva o rabo do tatu".

Parâmetros do som (altura, duração, intensidade, timbre)
- História coletiva com sonorização utilizando-se das partes da flauta;
- Exploração dos sons das partes da flauta;
- Exploração de copos de iogurte.

O registro / a notação musical

Comentários sobre o texto "O registro / a notação musical", publicado no livro Música na Educação Infantil, de Teca Alencar de Brito




Algumas frases desse texto me chamaram muito a atenção:
“A escrita musical não é a própria música”.
“A notação deve ser o resultado de uma necessidade musical e pedagógica, e não o ponto de partida da iniciação musical”.
“Dessa forma, o sinal gráfico nunca será signo, o que é sua função real”.
Isso me fez questionar a atual forma de ensino de música que utilizamos na associação da qual sou coordenadora. Ensinamos música para jovens a partir dos 9 anos através de instrumentos de fanfarra, ou seja, instrumentos da família dos metais e da percussão. Apesar de colocar os alunos primeiro em contato com o instrumento e depois em contato com a notação musical, percebi que estamos valorizando sobremaneira esta última. Será que nossos alunos assimilam os símbolos musicais efetivamente como signos? O que é um signo?
Sem entrar no campo da semiótica, signo seria “sinal, marca, coisa que evoca outra”, de acordo com o Dicionário Rápido da Língua Portuguesa. Através do texto, e devido a uma análise crítica do nosso trabalho que sempre faço, venho me questionando se nossos alunos têm assimilado os símbolos musicais como signos que evocam o fazer musical. Acredito que a resposta seja: ainda não.
Sinto que faltam atividades que relacionem esses símbolos com o tempo e espaço, conceitos práticos que estão mais próximos deles. Gostei muito de duas das propostas feitas pela professora Claudia: utilizar retângulos de diferentes tamanhos para representar as figuras musicais e desenhar os sons com giz coloridos em cartolinas. O texto também fala de associar os diferentes tipos de sons (curtos, longos, em movimento, repetidos, muito fortes, muito suaves, graves, agudos) com movimentos do corpo, "numa realização intuitiva e espontânea da percepção dos sons ouvidos" [...] "expressando o que 'deu vontade'", que seria considerado como uma primeira forma de registro. Esses "gestos sonoros" seriam transformados posteriormente em representações gráficas. Quer melhor associação de notação, tempo e espaço?
Me lembrei das atividades realizadas pela professora Enny no semestre passado quando estávamos estudando Murray Shaffer, ao solicitar que criássemos uma composição em grupo baseados nos sons do ambiente, sendo que essa composição deveria ser escrita.
O texto da Teça Alencar me fez resgatar e associar esses fatores, contribuindo não apenas para o desenvolvimento de atividades para a faixa etária citada – referente à educação infantil – mas também para adolescentes e adultos.


RESUMO DO TEXTO

- Notação musical: necessidade de fixar as idéias musicais e, assim, preservá-las.
- Em sua origem, os sinais apenas sugeriam o movimento sonoro.
- A escrita musical não é a própria música.
- A sociedade valoriza sobremaneira a escrita, tendendo a desconsiderar o fazer musical.
- Dessa forma, o sinal gráfico nunca será signo, que é sua função real.
- O conceito de registro de um som (ou grupos de sons) pode começar a ser trabalhado com crianças de três anos.
- Diferentes tipos de sons podem ser traduzidos corporalmente, numa realização intuitiva e espontânea da percepção dos sons ouvidos, o que podemos considerar como uma primeira forma de registro.
- Esses gestos também podem ser transformados em desenhos.
- Desenhar o som é registrar intuitiva e espontâneamente os sons percebidos.
- O registro gráfico conscientiza as características do som.
- Segundo Koellreutter, o poder de abstração das crianças é muito grande, levando em conta que elas percebem primeiro o todo e depois o particular, os detalhes.
- Ao se propor que as crianças desenhem os sons, deve-se reforçar o fato de que elas não devem desenhar o instrumento, ou seja, a fonte sonora produtora do som, mas sim o som produzido (principalmente com as crianças menores).
- É importante que as crianças observem e comparem, sem juízo de valor, o que cada uma fez, fazendo com que elas reflitam sobre essa atividade, construindo hipóteses, que é o aspecto de maior importância.
- Mesmo que uma ou outra criança não esteja compreendendo exatamente a proposta, convém deixar que ela realize o exercício a sua maneira.
- Pode-se criar pequenas composições junto com as crianças.
- Cores: diferentes timbres.
- Tamanho do sinal: força do som.
- Pontos: sons curtos.
- Linhas: sons longos.
- Ziguezagues para sons trêmulos ou frotados.
- Para crianças a partir de 6 anos, também é possível trabalhar com a notação da forma da música (A-B-A, por exemplo).

terça-feira, 6 de dezembro de 2011