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terça-feira, 8 de novembro de 2011

Relato de Aula - 14 - Metodologia I

Trabalhos apresentados pelo colegas:

ANTONIO LEAL DE SÁ PEREIRA - Thiago Horacio e Anderson Bouzan




- Existe uma escola Sá Pereira
- Livro dele não foi reeditado
- Teve contato com Dalcroze
- Retornou ao Brasil depois de 17 anos, e foi convidado a lecionar na Escola de Musical de Pelotas - RS.
- Foi professor de piano de Camargo Guarnieri
- Critico muito grande dos métodos de ensino de música da época.
- Defensor dos professores de música, sempre lutando por melhores condições.
- Foi para os EUA e durante 3 meses conheceu o método de ensino desse país.
- Criou o Conservatório Brasileiro de Música.
- Criou vários métodos de ensino de intervalos, figuras ritmicas, baseados nos métodos de Dalcroze.
- Utiliza bandinha ritmica.
- Contribuição da Lucila: Josete Felix, trabalha com musicalização infantil em Jundiai, deve ter tido aulas com Sá Pereira, devido a um método semelhante de ensino de quiálteras.
5 "eu ja disse que"
6 "eu ja disse que não"
7 "eu já disse que não vou"
8 "eu já disse que não vou mais"
- Fazia testes para os alunos ingressarem nas aulas.

CACILDA BORGES BARBOSA - Lucila




- Estudos Brasileiros para Piano Solo
- Nasceu em 1914, faleceu em 2010
- Sofreu de Alzeimer
- É citada na Enciclopédia Brasileira de Música
- Apesar de ser uma ótima pianista, não quiz seguir carreira, se dedicando à composição.
- Foi pioneira com música eletrônica no Brasil, viajando para outros países para pesquisar tecnologias.
- Filosofia de trabalho: "Minha música é o grito de guerra do brasileiro"
- Começava com intervalo de quinta (do-sol), inseria a mediante (do-mi-sol), incluia a supertônica e a subdominante ré e fá, depois a superdominante lá e finalmente a sensível sí.

MARIA DE LOURDES MASCARENHAS VALLIER - Carol




- Decada de 60
- Ingressou na UFRJ
- Mudando do Rio de Janeiro teve que aprender tudo de novo.
- Tomou contato com Robert Pace.
- Métodos de estudo de piano em grupo.
- Cacilda ajudou a fazer as melodias dos livros da Maria de Lourdes.
- Seu método trabalha a criança antes da parte técnica.
- Trabalha com leitura relativa

JURITY DE SOUZA FARIAS - Diogo e Jessica

- Não tem informação sobre ela na internet
- Nasceu no dia 08/06/1910, faleceu em 02/01/1980
- Tinha ouvido absoluto.
- Se formou pelo CBM
- Fundou um conservatório no suburbio do Rio, que futuramente virou faculdade.
- Escreveu o livro chamado "Curso Pré Teórico"
- Queria difundir um modelo de professor, um novo tipo de professor.
- Seu primeiro trabalho foi apresentado numa tese na Escola Nacional de Música.
- Solfejo muito forte, baseados em Dalcroze, através de processos mneumônicos.
- Baseado em frases.
- Contribuição do Teco: essa idéia já era utilizada pela Elisa ...., professora da USP

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Relato de aula - 13 - Metodologia II

- Continuação do método Self

Tocamos novamente utilizando algumas partituras não convencionais de Self. Vários amigos da classe foram reger. Pelo que ví, não é nada fácil!!! Assim como não é fácil pegar de primeira uma grade para orquestra e sair regendo. Achei ótimo essa proposta!

- Iniciação a Paynter

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Relato de aula - 12 - Metodologia II

- Iniciação no métodod George Self

Muito interessantes as partituras não convencionais utilizadas no método Self! Interessante para, inclusive, trabalhar expressividade e regência com a garotada. As partituras tem uma legenda para os tipos de sons: pouca / muita ressonância, forte / fraco, tremolos. Inclusive, trabalhando com várias vozes.

Tocamos duas partituras, utilizando instrumentos de diferentes materiais.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Relato de aula - 10 - Metodologia II

- Continuação de Schafer

Fizemos exercícios muito bacanas. Num deles, deixamos duas pessoas fora da sala. Dividimos a turma em dois grupos e escolhemos dois objetos na sala para os quais cada um dos que ficaram lá fora seriam guiados através de um som. Esse som ficaria mais forte ou mais fraco de acordo com a distância entre a pessoa e o objeto. Como se fosse aquela brincadeira do "tá quente / tá frio".

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Relato de aula - 9 - Metodologia II

- Continuação de Schafer

Escuta da música The Magic Songs, de Murray Schafer.



Redoma sonora: imaginamos uma redoma ao nosso redor, e tínhamos que preenche-la totalmente com sons, de olhos fechados. Quando terminasse de preencher essa redoma, teríamos que parar de emitir os sons. Nossa! Passou muito rápido! Eu ainda estava chegando na metade da minha redoma quando percebi que o restante do grupo já estava terminando. Tratei de acelerar e terminar logo a minha e acabei junto com o grupo. A Enny também achou que passou rápido demais... Pois é! Será que algum dia irei passar pela mesma experiencia que tive com esse exercício no Ateliê da Enny? Foi tão emocionante! Na ocasião, todos terminamos juntos!!! Aquele grupo, de fato, estava muito afinado!

Tapete sonoro: foi uma das atividades mais interessantes e mais conflitantes que já fiz! No início estava muito legal, mas quando o grupo demonstrava que queria parar, alguém continuava e pouco a pouco todos iam voltando também. Teve um momento que eu não voltei mais, e não me curvei à vontade do "grupo". Achei que a atividade durou tempo demais! Depois, no momento de fazer a análise, percebi que vários também sentiram a mesma coisa.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Relato de aula - 8 - Metodologia II

- Continuação de Schafer

Escuta da música Snowforms, de Murray Schafer.



Escuta da paisagem sonora: andar pelo pátio do campus, ouvindo os sons externos durante 15 minutos.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Relato de aula - 7 - Metodologia II

EXTRA! EXTRA! EXTRA!
Hoje teremos atividades com propostas de Murray Shaffer!



Já fiz essa proposta com a Enny no ateliê, mas utilizando folhas de jornal.
Dessa vez, foram usadas folhas de revistas.
Foram várias atividade: passar uma folha sem fazer ruido, explorar os sons obtidos através da folha, mostrar para os demais, reproduzir, classificar esses sons e, finalmente, fazer uma composição em grupo!

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Relato de aula - 6 - Metodologia II

Assistimos ao espetáculo "Fim de Feira", de Koelrreutter e Teca Alencar. Baseado nos adagios das feiras populares, essa peça traduz de forma poética esse ambiente.

O vídeo também mostrou momentos dos ensaios. Achei bem bacana o processo de criação em conjunto.
Também assistimos a um trecho do documentário "Koellreutter e a Música Transparente".

- Qual NÃO deve ser o papel da educação?
- Contextualizar o tradicional com a vanguarda.
- O artista moderno é um ser que vive as coisas do espírito.
- O importante da Educação Musical é desenvolver capacidades para qualquer profissão.
- Somos incapazes de penetrar realmente em vivências de culturas estranhas.
- Acrono: tempo diferente, que depende da emoção das pessoas.
- Caos inteligível!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Relato de aula - 5 - Metodologia II

Hoje assistimos um vídeo sobre Koellreutter.
Aliás, as aulas sobre Koellreutter são sensacionais!
Năo há como falar que é uma aula sobre música, ou sobre uma metodologia de ensino. Pelo que vejo, assim como as aulas COM Koellreutter, as aulas SOBRE ele săo mesclas de música, filosofia, cięncias, história, política, pedagogia... Quem teve a oportunidade de conviver com esse grande mestre se modifica a tal ponto que năo tem como năo passar, transmitir, contagiar a todos o mesmo espírito.

Opa! De repente me lembrei de Paulo Freire também!!! Percebo que os grandes mestre se tornam grandes e admirados por isso: conseguem ter essa visăo holistica das coisas.

Voltando para a aula!

"O que tem para ouvir nessa música?"
A música comtemporanea incorporou a incerteza do mundo.
Com o advento da Teoria da Relatividade e as descobertas da Fisica Quantica, foi possível perceber a imprecisăo do mundo em que vivemos.

Os criadores săo diferentes dos compositores. Eles desafiam, transgridem, chocam, estrapolam, contestam! E tudo que é novo causa certa estranheza. Demora um certo tempo para que as pessoas consigam digerir novas linguagens e propostas. Me lembro até hoje a sensaçăo que tive quando ouvi Pierrot Lunaire, de Schoenberg. Foi a primeira vez que ouvi uma música atonal! Me tirou do eixo! Parecia que eu iria cair da cadeira!!! Fiquei sem ponto de referęncia! Ainda hoje tenho essa sensaçăo, mesmo que bem mais amena.

Ensino pré-figurativo
Koellreutter propôs o ensino que chamou de pré-figurativo: você năo vai ensinar, mas sim criar uma situaçăo para a criaçăo.
"Ensinar a teoria musical , a harmonia e o contraponto como princípios de ordem indispensáveis e absolutos é pós-figurativo. Indicar caminhos para a invenção e a criação de novos princípios de ordem é pré-figurativo.
Ensinar o que o aluno pode ler em livros ou enciclopédias é pós-figurativo. Levantar sempre novos problemas e levar o aluno à controvérsia e ao questionamento de tudo o que se ensina é pré-figurativo."
Trechos do livro "Koellreutter Educador: o humano como objetivo da educação musical"
Outros pontos:
- Importância da conscięncia
- Relaçăo inter-humana -> escuta do grupo
- 1941: Superaçăo da forma de sonata tradicional

Frases da aula:
"Educaçăo musical é educaçăo"
"Ser humano: o mais importante do ensino musical"
"Música a serviço da personalidade"
"A música é uma arte temporal"

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Relato de aula - 4 - Metodologia II

Hans-Joachim Koellreutter

Hoje praticamos um exercício chamado "Fases de Tamboriladas".

Foi muito bacana! Pesquisamos tudo o que era possível tamborilar na sala de aula. Depois, cada um mostrou sua pesquisa. Achei muito bacanas os sons encontrados pela turma! Principalmente utilizar as baquetas nas grades existentes embaixo das cadeiras.

Em seguida, fomos convidados a ir a frente do grupo para reger e montar uma composição, inclusive utilizando outros intrumentos como xilofones e metalofones.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Relato de aula - 3 - Metodologia II

Hans-Joachim Koellreutter

"A música é uma arte do tempo"
(Enny Parejo)

Prenância: se destacam de uma estrutura.
Gestalt: percepção de uma estrutura como um todo, no mesmo momento. Configurações pluridimensionais.

Obra 1941, de Koellreutter: inovação da forma sonata / estética do impreciso e paradoxal.

Obs - Forma sonata:
          * Introdução - exposição do tema;
          * Desenvolvimento;
          * Reexposição.

Música atonal: esse "a" tem o sentido de transcendência e não de negação.
Apresenta os motivos principais (gestalts). Essas composições são diálogos entre as gestalts.
São necessários filtros conceituais para entender.
"Mas: é sempre água, mas as ondas sempre dão uma forma diferente".

Antítese: música de Haydn, pois são previsíveis.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Relato de aula - 2 - Metodologia II

Hans-Joachim Koellreutter

Carta Aberta aos Músicos e Críticos do Brasil
Por Mozart Camargo Guarnieri

Considerando as minhas grandes responsabilidades, como compositor brasileiro, diante de meu povo e das novas gerações de criadores na arte musical, e profundamente preocupado com a orientação atual da música dos jovens compositores que, influenciados por idéias errôneas, se filiam ao Dodecafonismo – corrente formalista que leva à degenerescência do caráter nacional de nossa música – tomei a resolução de escrever esta carta-aberta aos músicos e críticos do Brasil.

Através deste documento, quero alertá-los sobre os enormes perigos que, neste momento, ameaçam profundamente toda a cultura musical brasileira, a que estamos estreitamente vinculados.

Esses perigos provêm do fato de muitos dos nossos jovens compositores, por inadvertência ou ignorância, estarem se deixando seduzir por falsas teorias progressistas da música, orientando a sua obra nascente num sentido contrário ao dos verdadeiros interesses da música brasileira.

Introduzido no Brasil há poucos anos, por elementos oriundos de países onde se empobrece o folclore musical, o Dodecafonismo encontrou aqui ardorosa acolhida por parte de alguns espíritos desprevenidos.

À sombra de seu maléfico prestigio se abrigaram alguns compositores moços de valor e grande talento, como Cláudio Santoro e Guerra-Peixe, que felizmente, após seguirem esta orientação errada, puderam se libertar dela e retornar o caminho da música baseada no estudo e no aproveitamento artístico-científico do nosso folclore. Outros jovens compositores, entretanto, ainda dominados pela corrente dodecafonista (que desgraçadamente recebe o apoio e a simpatia de muitas pessoas desorientadas), estão sufocando o seu talento, perdendo contato com a realidade e a cultura brasileiras, e criando uma música cerebrina e falaciosa, inteiramente divorciada de nossas características nacionais.

Diante dessa situação que tende a se agravar dia a dia, comprometendo basilarmente o destino de nossa música, é tempo de erguer um grito para deter a nefasta infiltração formalista e antibrasileira que, recebida com tolerância e complacência hoje, virá trazer, no futuro, graves e insanáveis prejuízos ao desenvolvimento da música nacional do Brasil.

É preciso que se diga a esses jovens compositores que o Dodecafonismo, em Música, corresponde ao Abstracionismo, em Pintura; ao Hermetismo, em Literatura, ao Existencialismo, em Filosofia, ao Charlatanismo, em Ciência.

Assim, pois, o dodecafonismo (como aqueles e outros contrabandos que estamos importando e assimilando servilmente) é uma expressão característica de uma política de degenerescência cultural, um ramo adventício da figueira-brava do Cosmopolitismo que nos ameaça com suas sombras deformantes e tem por objetivo oculto um lento e pernicioso trabalho de destruição do nosso caráter nacional.

O dodecafonismo é, assim, de um ponto de vista mais geral, produto de cultura superadas, que se decompõem de maneira inevitável, é um artifício cerebralista, antinacional, antipopular, levado ao extremo; é química, é arquitetura, é matemática da música – é tudo o que quiserem – mas não é música! E um requinte de inteligências                                                 

Que essa pretensa música encontre adeptos no seio de civilizações e culturas decadentes, onde se exaurem as fontes originais do folclore (como é o caso de alguns países da Europa); que essa tendência deformadora deite as suas raízes envenenadas no solo cansado de sociedades em decomposição, vá lá! Mas que não encontre acolhida aqui na América nativa e especialmente em nosso Brasil, onde um povo novo e rico de poder criador tem todo um grandioso porvir nacional a construir com suas próprias mãos! Importar e tentar adaptar no Brasil essa caricatura de música, esse método de contorcionismo cerebral antiartístico, que nada tem de comum com as características especificas de nosso temperamento nacional e que se destina apenas a nutrir o gosto pervertido de pequenas elites de requintados e paranóicos, reputo um crime de lesa-Pátria! Isso constitui além do mais, uma afronta à capacidade criadora, ao patriotismo e à inteligência dos músicos brasileiros.

O nosso país possui um folclore musical dos mais ricos do mundo, quase que totalmente ignorado por muitos compositores brasileiros que, inexplicavelmente, preferem carbonizar o cérebro para produzir música segundo os princípios aparentemente inovadores de uma estética esdrúxula e falsa.

Como macacos, como imitadores vulgares, como criaturas sem princípios, preferem importar e copiar nocivas novidades estrangeiras, simulando, assim, que são ‘originais’, ‘modernos e ‘avançados’ e esquecem, deliberada e criminosamente que temos todo um amazonas de música folclórica – expressão viva do nosso caráter nacional – à espera de que venham também estudá-lo e divulgá-lo para engrandecimento da cultura brasileira. Eles não sabem ou fingem não saber que somente representaremos um autêntico valor, no conjunto dos valores internacionais na medida em que soubermos preservar e aperfeiçoar os traços fundamentais de nossa fisionomia nacional em todos os sentidos.

Os nossos compositores dodecafonistas adotam e defendem essa tendência formalista e degenerada da música porque não se deram ao cuidado elementar de estudar os tesouros da herança clássica, o desenvolvimento autônomo da música brasileira e suas raízes populares e folclóricas. Eles, certamente, não leram estas sábias palavras de Glinka: “a música, cria-a o povo, e nós, os artistas, somente a arranjamos...” (que vale para nós também) – e muito menos meditaram nesta opinião do grande mestre Honegger sobre o dodecafonismo: “...as suas regras são por demais ingenuamente escolásticas. Permitem ao NÃO MÚSICO escrever a mesma música que escreveria um indivíduo altamente dotado...”

Mas o que pretende, afinal essa corrente antiartística que procura conquistar principalmente os nossos jovens músicos, deformando a sua obra nascente?

Pretende, aqui no Brasil, o mesmo que tem pretendido em quase todos os países do mundo: atribuir valor preponderante à forma; despojar a música de seus elementos essenciais de comunicabilidade; arrancar-lhe o conteúdo emocional, desfigurar-lhe o caráter nacional; isolar o músico (transformando-o num monstro de individualismo) e atingir o seu objetivo principal’ que é justificar uma música sem Pátria e inteiramente incompreensível para o povo.

Como todas as tendências de arte degenerada e decadente, o dodecafonismo, com suas facilidades, truques e receitas de fabricar música atemática, procura menosprezar o trabalho criador do artista, instituindo a improvisação, o charlatanismo, a meia-ciência  como substitutos da pesquisa, do talento, da cultura, do aproveitamento racional das experiências do passado, que são as bases para a realização da obra de arte verdadeira.

Desejando, absurdamente, pairar acima e além da influência de fatores de ordem social e histórica, tais como o meio, a tradição, os costumes e a herança clássica; pretendendo ignorar ou desprezar a índole do povo brasileiro e as condições particulares do seu desenvolvimento, o dodecafonismo procura, sorrateiramente realizar a destruição das características especificamente nacionais da nossa música, disseminando entre os jovens a ‘teoria’ da música de laboratório criada apenas com o concurso de algumas regras especiosas, sem ligação com as fontes populares.

O nosso povo, entretanto, com aguda intuição e sabedoria, tem sabido desprezar essa falsificação e o arremedo de música que conseguem produzir. Para tentar explicar a sua nenhuma aceitação por parte do público, alegam alguns dos seus mais fervorosos adeptos que ‘o nosso país é muito atrasado’, que estão ‘escrevendo música para o futuro’ ou que ‘o dodecafonismo não é ainda compreendido pelo povo porque a sua obra não é suficientemente divulgada...’

É necessário que se diga, de uma vez por todas, que tudo isso não passa de desculpa dos que pretendem ocultar aos nossos olhos os motivos mais profundos daquele divorcio.

Afirmo, sem medo de errar, que o dodecafonismo jamais será compreendido pelo grande público porque ele é essencialmente cerebral, anti-popular, anti-nacional e não tem nenhuma afinidade com a alma do povo.

Muita coisa ainda precisaria ser dita a respeito do Dodecafonismo e do pernicioso trabalho que seus adeptos vêm desenvolvendo no Brasil, mas urge terminar esta carta que já se torna longa demais.

E ela não estaria concluída, se eu não me penitenciasse publicamente perante o povo brasileiro por ter demorado tanto em publicá-la. Esperei que se criassem condições mais favoráveis para um pronunciamento coletivo dos responsáveis pela nossa música a respeito desse importante problema que envolve intenções bem mais graves do que, superficialmente se imagina. Essas condições não se criaram e o que se nota é um silêncio constrangido e comprometedor. Pessoalmente, acho que o nosso silêncio, neste momento, é conivência com a contrafação dodecafonista. E esse o motivo porque este documento tem um caráter tão pessoal.

Espero, entretanto, que os meus colegas compositores, intérpretes, regentes e críticos manifestem, agora, sinceramente, a sua autorizada opinião a propósito do assunto. Aqui fica, pois, meu apelo patriótico. 

São Paulo, 7 de Novembro de 1950.  Camargo Guarnieri.

~*~*~*~*~*~

Carta Aberta aos Músicos e Críticos do Brasil
Resposta a Camargo Guarnieri
Por Hans Joachim Koellreutter 

Consciente de minhas responsabilidades perante a nova geração de compositores, em especial diante daqueles que me foram confiados, e perante o país a cujo desenvolvimento cultural venho dedicando todos os meus esforços profissionais, movido ainda pelo profundo respeito que tenho pelo espírito criador do homem e pela inabalável fé na liberdade de pensamento, venho responder, de público, à ‘Carta Aberta aos músicos e críticos do Brasil’ que o sr.Camargo Guarnieri fez publicar, com a data de 7 de novembro de 1 950. Vejamos de início o que é o tão falado Dodecafonismo, atacado pelo sr. Camargo Guarnieri com tanta veemência e com uma terminologia pouco apta a um documento artístico. Dodecafonismo não é um estilo, não é uma tendência estética, mas sim o emprego de uma técnica de composição criada para a estruturação do atonalismo, linguagem musical em formação, lógica conseqüência de uma evolução e da conversão das mutações quantitativas do cromatismo em qualitativas, através do modalismo e do tonalismo. Não tendo, por um lado, como toda outra técnica de composição — outro fim a não ser o de ajudar o artista a expressar-se e, servindo, por outro lado, à cristalização de qualquer3  tendência estética, a técnica dodecafônica garante liberdade absoluta de expressão e a realização completa da personalidade do compositor. Ela não é mais nem menos ‘formalista’, ‘cerebralista’, ‘antinacional’ ou ‘anti-popular’ que qualquer outra técnica de composição baseada em contraponto e harmonia tradicionais. E errôneo, portanto, o conceito de que o Dodecafonismo ‘atribua valor preponderante à forma’ ou ‘despoje a música de seus elementos essenciais de comunicabilidade’; que ‘lhe arranque o conteúdo emocional’; que ‘lhe desfigure o caráter nacional’ e que possa ‘levar à degenerescência do sentimento nacional’.

O que leva ‘à degenerescência do sentimento nacional’, o que se torna um ‘vício de semimortos’ e ‘um refúgio de compositores medíocres’ e não contribui em absoluto para a evolução cultural de um povo, pelo contrário, é fonte de sucessos fáceis e de improvisações, é o nacionalismo em sua forma de adaptação de expressões vernáculas. Essa tendência, tão comum entre nós, é responsável por uma música que lembra o estado pré-mental de ‘sensação’, próprio do homem primitivo e à criança, e que, com as suas fórmulas gratuitas emprestadas ao colorismo russo-francês, não consegue encobrir sua pobreza estrutural e a ausência de potência criadora. O verdadeiro nacionalismo é um característico intrínseco do artista e de sua obra. Quando, porém, essa tendência se reduz a uma atitude apenas, leva tanto ao formalismo quanto qualquer outra corrente estética. – Entende-se por formalismo a conversão da forma artística numa espécie de auto-suficiência. Ao contrário do que afirma o sr.Camargo Guarnieri, o que me parece alarmante é a situação de estagnação mental em que vive amodorrado o meio musical brasileiro, de cujas instituições de ensino, com seu programa atrasado e ineficiente, não tem saído nestes últimos anos nenhum valor representativo. Eis a expressão, essa sim, de uma ‘política de degenerescência cultural’ e não a ânsia4 estética, o trabalho sincero dos jovens dodecafonistas brasileiros que lutam corajosamente por um novo conteúdo e uma nova forma e que jamais desprezaram o folclore de sua terra, estudando-o e assimilando-o em sua essência. Esses jovens dodecafonistas brasileiros desbravam as regiões do inexplorado à procura de uma nova realidade na arte. Escrevem música que não admite outra lógica a não ser a que nasce da própria substância musical. E verdade que essa música, apesar de toda sua perfeição estrutural, demonstra algo de instável e fragmentário, característicos de uma crise que resulta do conflito entre forma e conteúdo, a fonte mais importante do desenvolvimento e do progresso nas artes. E é justamente nisso, no alto grau de veracidade e no realismo de sua arte, que consiste o valor humano e artístico do trabalho desses jovens compositores. Quanto aos conceitos finais dos últimos parágrafos da Carta Aberta do sr.Camargo Guarnieri não merecem resposta por serem incompetentes e tendenciosos. Em lugar de demagogia falaciosa de sua carta, o sr. Camargo Guarnieri deveria ter feito uma exposição objetiva, uma análise serena e limpa dos problemas relativos aos jovens musicistas do Brasil, se é que realmente isso o interessa. O nacionalismo exaltado e exasperado que condena cegamente e de maneira odiosa a contribuição que um grupo de jovens compositores procura dar à cultura musical do país, conduz apenas ao exacerbamento das paixões que originam forças disruptivas e separam os homens. A luta contra essas forças que representam o atraso e a reação, a luta sincera e honesta em prol do progresso e do humano na arte é a única atitude digna de um artista.

Documento divulgado em vários jornais do país. Folha da Tarde, Porto Alegre, 13/01/1951

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Relato de aula - 1 - Metodologia II

Hans-Joachim Koellreutter (1915-2005)

Acronóstico!

Hoje.
Amanhã?
Nunca...
Sempre!


Já acabou?
Ousados são 
Aqueles que
Conheceram (verdadeiramente) o
Homem da
Inovação da
Música brasileira. 


Koellreutter...
Ousarei me
Entregar
Livremente, sem
Limites, sem
Receios, aos seus
Ensinamentos... para
Um dia
Transcender
Transformar
Emergir
Respirar...

Autor: Célia Bitencourt
Acróstico escrito ao som de
Acronon, composição de Hans-Joachim Koellreutter