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segunda-feira, 9 de maio de 2011

A psicologia e o mestre

VIGOTSKY, Lev Semenovich. A psicologia e o mestre. In: VIGOTSKY, Lev Semenovich. Psicologia pedagógica. 2.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2004. p. 445-463.

Para abranger inteiramente o processo de educação e enfocar de um ângulo psicológico todos os aspectos mais importantes do seu desenvolvimento, é necessário levar em conta também a psicologia do trabalho do mestre e mostrar a que leis ele está sujeito.

Cada concepção particular sobre o processo pedagógico se relaciona a uma concepção específica da natureza do trabalho do mestre:
  • Tolstoi: mestre deve ser homem virtuoso, capaz de contagiar a criança.
  • Pedagogia ascética: é quem sabe por em prática os ensinamentos.
  • Domostrói: “tu a espancas pelo corpo mas salvas a alma da morte”.
  • Haüy: hipnotizador, capaz de sugestionar e subordinar a vontade do outro.
  • Pestalozzi e Froebel: jardineiro.
  • Blonski: engenheiro da antropotécnica.
  • Komiênski: método da formação deve ser mecânico, como Pestalozzi.

O novo sistema de psicologia pedagógica leva a uma nova concepção do trabalho do mestre:
  • Já nos livramos daquele preconceito segundo o qual o mestre deve educar: o próprio aluno se educa.
  • Não é tão importante ensinar certo volume de conhecimento quanto educar a habilidade para adquirir esses conhecimentos e utiliza-los.
  • Papel do professor: tornar-se o organizador do meio social, que é o único fator educativo.
  • O Magistério é para os mais aptos – O professor deve dominar o objeto que leciona – Para lecionar, pode-se saber muito pouco só que com clareza e precisão. Para orientar os próprios conhecimentos do aluno é necessário saber bem mais – “A verdade não é uma coisa tão inteligente se os seus arautos são tolos em sua maioria”.
  • Quem não é quente nem frio, mas apenas morno, nunca poderá ser um bom professor.
  • Suscitar no aluno o seu próprio entusiasmo e não atribuí-lo ao professor.
  • Dinamismo, coletivismo.
  • Trabalho criador, social e vital: “O maior erro da escola foi ter se fechado e se isolado da vida com uma cerca alta”.

Educação e arte:
  • Muita gente tem comparado o trabalho do professor ao trabalho do artista e colocado em relevo às questões da criança individual.
  • Zalkind: aproxima o processo da criação artística a qualquer outro ato mental.
  • Só um estado de incômodo social provoca mudança no aparelho psíquico: “Um pensamento emitido, um quadro pintado e uma sonata composta nascem de um estado de incômodo dos seus autores e procuram através da reeducação modificar as coisas no sentido de uma maior comodidade”.
  • O pedagogo-educador não pode não ser uma artista. O objetivismo puro do pedagogo é um absurdo. O educador racional nunca educa.
  • O que agora se realiza nos campos estreitos da arte mais tarde penetrará toda a vida e esta se tornará um trabalho criador.

Pontos para reflexão:
  • “perigo no fato de que o trabalho docente se transfere cada vez mais para as mulheres”.
  • “No futuro todo professor deverá basear o seu trabalho no psicologia, e a pedagogia científica se tornará ciência exata baseada na psicologia”.
  • “a sociologia (pedagógico, psicoterapia) não deve nem pode ser apolítica”.
  • Subordinar os processos do próprio organismo ao controle da razão e da vontade.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Aprender: experiência criativa

FUGANTI, Luiz. Aprender. In: AQUINO, Julio Groppa; CORAZZA, Sandra Mara (orgs.). Abecedário: Educação da diferença. Campinas: Papirus, 2009. p. 24-27.

Aprender é um processo complexo, geralmente submetido a padrões. Esse fato faz com que o processo de aprendizagem seja frustrante e traumatizante, uma vez que o ensino dominante em nossas formações sociais não visa um aprendizado potencializador da criatividade (natural à vida). Ao contrário, estabelece/impõe uma insuficiência do ser.

Desqualifica-se a espontaneidade, o natural, o heterogêneo, a experiência do pensamento, para quantificar, ordenar, homogeneizar, submetendo o pensamento à consciência (operar com universais – senso comum).

Experimentar: caminho para o aprendizado criativo. Não é trabalhar para se encontrar alguém, alguma coisa ou referência, mas algo no que acontece, enquanto acontece, como combustível e intensificador da diferença que se quer diferenciar (ou tomar distância de si mesma - ?).

A alegria do diverso como catálise de modos ativos de experimentação, cujo gosto primeiro é o da eternidade que se produz no acontecimento de cada encontro.

Extrapolar limites: aprender o que pode o pensamento (produção), aprender o que pode o corpo (movimento), aprender o que pode a ética (escolha/maneira de ser), continuidade do querer aprender e capacidade crescente de aprender.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Olhar para o futuro: o ensino de ciências

PIAGET, Jean. O ensino das ciências. In: PIAGET, Jean. Para onde vai a educação. 2.ed. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1974. p. 15-25.

O modelo atual de ensino não atende às exigências e necessidades da sociedade. É, portanto, necessário realizar uma revisão dos métodos e do espírito de todo o ensino. Não apenas na didática dos ramos científicos (Matemática, Física, Química, Biologia, etc.), mas em várias questões como: o papel do professor pré-escolar, o significado real dos métodos ativos, a utilização dos conhecimentos psicológicos a cerca do desenvolvimento das crianças, e o caráter interdisciplinar.

Valorizar e trabalhar a existência de diferenças individuais de aptidão.

Muitos fracassos escolares se devem à passagem muito rápida do qualitativo (lógico) para o quantitativo (numérico).

Método ativo: pesquisa espontânea da criança ou do adolescente, exigindo-se que toda verdade a ser adquirida seja reinventada pelo aluno, ou pelo menos reconstruída e não simplesmente transmitida – o professor continua indispensável, mas ele deixa de ser apenas conferencista, estimulando a pesquisa e o esforço, ao invés de se contentar com a transmissão de soluções já prontas. Além disso, precisa estar muito bem informado a respeito das peculiaridades do desenvolvimento psicológico da criança ou do adolescente.

Psicólogos & Matemáticos: elaboração de um ensino “moderno”, que consistiria em falar à criança na sua linguagem antes de lhe impor uma outra já pronta e por demais abstrata.

Experimentação: uma experiência que não seja realizada pela própria pessoa, com plena liberdade de iniciativa, deixa de ser, por definição, uma experiência, transformando-se em simples adestramento.

“Compreender é inventar, ou reconstruir através da reinvenção” - é preciso moldar indivíduos capazes de produzir ou criar, e não apenas de repetir.

Existe ou não vantagens em acelerar a sucessão dos estágios do desenvolvimento?

Aspectos importantes:
  • Exercitar a observação;
  • Interdisciplinaridade.